Escrito em Domesticação Humana, Poesias
em 29 de maio de 2010
Carlos Drummond de Andrade
O homem, bicho da Terra tão pequeno
chateia-se na Terra
lugar de muita miséria e pouca diversão,
faz um foguete, uma cápsula, um módulo
toca para a Lua
desce cauteloso na Lua
pisa na Lua
planta bandeirola na Lua
experimenta a Lua
coloniza a Lua
civiliza a Lua
humaniza a Lua.
Lua humanizada: tão igual à Terra.
O homem chateia-se na Lua.
Vamos para Marte – ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em Marte
Pisa em Marte
experimenta
coloniza
civiliza
humaniza Marte com engenho e arte.
Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?
Claro – diz...
Escrito em Poesias
em 14 de abril de 2010
No tocante desse ritmo constante
Procurei a mim, alma flamejante
Que de torto e direito,
Cavalgava por aí em desrespeito.
Força, destreza e diplomacia
Elementos fugazes de uma combinada melancolia,
Onde choros, berros e lamentos internos,
Depois de despertos me levaram a ver nos meus infernos
A vida que há tempos me corroía.
Um passo, um lamento.
Uma mão, mais um tormento.
Um sorriso, um fruto.
Mais um passo, outro surto.
Da crise renasci,
Como acredito terem renascido outros,
E poderem renascer outros mais.
Porque enquanto um chora, outro dá a mão.
E enquanto um dá a mão, o outro sobe.
E se...
Escrito em Poesias
em 2 de abril de 2010
Posso cair, posso levantar
Posso ir, posso voltar
Posso inspirar multidões
Como também posso aniquilá-las
Posso matar mil leões
Como também posso servir-lhes de alimento
Posso tudo e nada posso
Faço nada e tudo faço
Penso que existo e existo porque penso
E me acabo por pensar que não sou eu que penso
Perco minha personalidade
Perco-me no meu tempo
Despeço-me de quem eu era
Fico sem qualquer sustento
Nada serei por mais que tente
Pois no fim nada somos
Do que pensamos ou nos lamentamos
Da pessoa que um dia fomos
Só sei que nada sou e se sirvo, é de caderno
Para escrever palavras tortas
E...
Escrito em Poesias
em 15 de fevereiro de 2010
Esta pequena história é baseada em um conto de 1903 de um dos maiores romancistas e um dos mais importantes filósofos e reformadores sociais da Rússia, Leon Tolstoi. Uma excelente história para se refletir a respeito dessas três perguntas que abarcam a todos nós.
Era uma vez um menino chamado Nikolai que às vezes não sabia muito bem com agir. “Quero ser uma boa pessoa, mas nem sempre sei a melhor maneira de fazer isso”, dizia ele aos amigos. “Se eu conseguisse encontrar as respostas para as minhas três perguntas, eu sempre saberia o que fazer.”
Qual é o melhor...
Escrito em Filosofia, Poesias
em 9 de fevereiro de 2010
Quando o cansaço bate, o coração valente pulsa para dar ânimo aos fracos, comida aos famintos e alento aos desesperados. O cansaço, destruindo moinhos, desmoronando pedras e alicerces, enfraquece muros arrebentando-os como ondas de uma ressaca de uma vida mal vivida e planejada. O futuro é, pois, um caos entre o possível e o sonho mal delineado que por privar-se muito da sua alma, do seu coração e de cada gota de sangue que por ele passa, descansa impuro no solo fértil onde novas idéias brotariam.
Ah! Como era boa a vida de futebol e cerveja. Jogar conversa fiada com os amigos na beira da...