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Quanto mais de perto você olha as coisas, menos você enxerga

26 de janeiro de 2012

Ao invés de abrir uma empresa e ela crescer ao mesmo tempo em que você vai delegando as tarefas que desempenha, nós, empreendedores em busca da liberdade, fazemos exatamente o oposto. Ficamos o dia inteiro na tela do computador, movendo os olhos um pouquinho para a direita e um pouquinho para a esquerda. Não mais que um pouquinho. Fazemos isso também com a nossa vida, pois falamos em ter foco o tempo inteiro, pensando que foco é o mesmo que estreitar a nossa visão para pensar mais objetivamente sobre um problema. Quando fazemos isso, focamos no problema e focamos na tela do computador. Não deixamos os olhos se perderem na vasta imensidão de imagens (e soluções) que existem fora dessas duas janelas que nós mesmos criamos para nós. Foco não tem nada a ver com estreitamento de olhar, mas com decisão.

DECIDA NÃO SOFRER
Somos movidos pelo sofrimento. Isso eu espero que o estimado leitor já tenha entendido. Precisamos sofrer de alguma forma para descobrirmos que aquilo que estávamos fazendo não era ideal. Isso nos move para frente, em busca de um novo desafio, ou melhor, um novo sofrimento. Toda a natureza funciona dessa forma. Toda a natureza é movida para as suas barreiras para aprender a contorná-las. Nós não seríamos diferente. No entanto, podemos decidir não sofrer mais. Depois que tomamos essa decisão, colocamos o foco nela para não sair do prumo e voltar a sofrer. Fazendo isto, percebemos que o sofrimento está muito mais ligado com a maneira como resistimos ou queremos as coisas, do que exatamente com o que nos acontece.

Quando a nossa conta bancária entra no vermelho ou um filho nosso cai e se machuca, resistimos a esses dois eventos, jogando sobre eles nossas expectativas do que gostaríamos que acontecesse. Resistimos porque queremos algo para nós, ao invés de simplesmente enxergar esses dois eventos como oportunidades de aprender a lidar com a vida.

Se decidimos não sofrer, não estreitamos o nosso olhar, e lidamos com as situações de maneira mais relaxada e tranquila. Erradamente pensamos que temos e que somos algo, quando na realidade não temos nada e não somos nada. Tudo faz parte de um “construindo-se” constante. Tudo é provisório. Em um instante estamos nascendo nus e noutro morrendo com algumas peças de roupa. Pronto. Durante o intervalo entre esses dois instantes, construímos apenas a nossa integridade moral, nossa ética e definimos alguns valores que permanecem durante toda a etapa da vida.

ENXERGUE OPORTUNIDADES
Se olharmos nossa vida mais de longe, veremos que todo “problema” é uma oportunidade que temos de construir um pouquinho mais o nosso interior da maneira como desejamos. Você pode não mover-se muito à frente neste caminho diário, mas aprende que a cada passo que dá e a cada oportunidade que abraça, seu interior fica mais forte e nobre. E da mesma forma que um “problema” é uma oportunidade, um “presente” também é, pois podemos com ele provar nossos valores até então estabelecidos durante as “crises” que vivemos. Assim, a definição de problema e presente está totalmente relacionada a maneira como enxergamos as coisas e não com o que de fato nos acontece.

Se não sabemos nada e se tudo mudo à nossa volta muda quando mudamos a nossa visão, porque então não pararmos com a busca pela mudança no mundo e mudarmos a nós mesmos, enxergando mais distante? Talvez, se uma pequena parcela da sociedade fizer este movimento de busca por um olhar mais distante, teremos uma sociedade mais equilibrada. Entretanto, não coloque suas fichas nessa ideia, pois quando morrer, sua vida não terá sido tão importante assim como pensa para a grande maioria dos 7 bilhões de seres humanos deste nosso planeja. Nossa vida, só vale mesmo como oportunidade para nós.

A vida tem vários lados com várias maneiras de ser enxergada. Definitivamente, nem eu ou você estamos totalmente certos sobre ela. Logo, é melhor deixar os questionamentos e conclusões sobre ela para lá e cuidar da vida que acontece dentro de nós. Aquela vida que nos julga o tempo todo e que nos impulsiona a tomar esta ou aquela decisão. Mudando dentro, mudamos fora. Só isso.

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8 Comentários

  • Isabella, em 26 de janeiro de 2012

    Olá!! Nao está mais disponibilizando o audiopost?

  • William, em 27 de janeiro de 2012

    Muito bom!
    Alguma coisa me dizia que eu tinha que ler isso hoje!

  • Elvis Ferreira, em 27 de janeiro de 2012

    Olá, Marcos!
    Eu acho que crescimento pessoal dói. Digamos que esse crescimento é a sabedoria vinda dos erros e contratempos.. dos questionamentos dentro da nossa mente. Ultimamente, várias perguntas me vem à cabeça, como por exemplo: Decidir fazer X, mas depois ver que Y tem mais a ver comigo, mas pelo medo de mudar pra Y e perder todo tempo investido em X, acabo ficando extremamente desconfortável e estagnado.

    Eu não sei se esse foi realmente o intuito do texto, mas o que eu entendi foi que, no meio de tanta loucura, ficamos cegos. Paramos de escutar nosso coração, ignoramos nossa intuição, pois, já que estamos nessa, temos que levar até o final. Temos mesmo? Desculpe se eu estiver sendo um pouco confuso. Acredito que temos que sempre estar parando para pensar onde estamos indo.

    Em relação aos problemas, eles são sim, muito menores do que a nossa capacidade de resolvê-los. Tenho enfrentado meus problemas cara a cara, e posso te dizer, a melhor forma de resolver nossos problemas é tomando atitudes. Gastamos mais energia remoendo-os do que tomando atitudes. Depois de termos tomado a atitude, é como se um peso de 50 kg tivesse aliviado das nossas costas..

    Tenho aprendido MUITO com seus textos e com conteúdo de filosofia que vasculho pela internet. A sessão “Talentos” aqui do Insistimento me fez mudar de paradigma. É sério, mudou tanto a minha forma de enxergar a vida no geral, que eu já fiz várias decisões baseadas no que aprendi aqui. É a mesma coisa que estar sem óculos, olhar o mundo e seus padrões estabelecidos pela massa (estude para ter um bom salário) e depois colocar os óculos e enxergar a maneira correta de viver com sabedoria (sirva com seus talentos).

    O Insistimento é responsável por uma boa parte do meu crescimento pessoal. Valeu Marcos!

  • Marcos Rezende, em 27 de janeiro de 2012

    Elvis Ferreira » Mutíssimo obrigado pelas palavras. Os textos que coloco aqui são o resultado de uma perseguição diária minha em servir melhor sem criar qualquer expectativa, enxergando ao mesmo tempo que tenho um papel importante em servir, mas que não tenho qualquer importância assim. Sirva com os seus talentos, sempre, sempre.

  • Jérôme Guinet, em 27 de janeiro de 2012

    Olá Marcos ! O que quer dizer com “Sem criar qualquer expectativa” ?

    Abraços !

  • Marcos Rezende, em 31 de janeiro de 2012

    Jérôme Guinet » Sem esperar nada. Quando esperamos, focamos em algo que preferimos que aconteça no futuro, totalmente fora das nossas mãos. Quando não esperamos, não resistimos e não desejamos, ficamos no momento presente, em sintonia com tudo o que acontece, não para criar algo, mas para aprender a lidar com aquilo que está acontecendo. Tudo é bem-vindo e é nossa percepção e desejo sobre os acontecimentos que nos fazer sentir dor ou não. Reflita sobre isso que chegará na sua resposta.

  • Marcos Rezende, em 31 de janeiro de 2012

    Isabella » Estamos reestruturando a coisa toda Isabella. Novidades virão.

  • Jérôme Guinet, em 31 de janeiro de 2012

    Marcos Rezende >> Obrigado pela explicação mas será que a partir do momento em que nos engajamos com um Propósito e, baseado nele, estabelecemos metas, que por definição estão focadas no futuro, não estamos impondo a nós mesmos uma expectativa natural ?

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