Gostaria de levantar uma bandeira sobre ética em todos os setores, mas ainda é difícil chegar a um discurso convincente, ou melhor, um contra-argumento eficiente, que consiga inspirar o desonesto a ser honesto. Desde as classes mais baixas às mais altas, temos conhecimento de “roubos”. É o retirante que se apropria de um pedaço de terra na cidade que não é dele e o empresário que sonega imposto. De um lado o “pobre” e de outro o “rico”, ambos roubando com a mesma desculpa de injustiça: “Não vou dar mais dinheiro para o governo ladrão”. Por quê afinal roubamos? Por quê somos corruptos? Por quê fazemos isso a nós mesmos?
ESQUEÇAMOS OS OUTROS LADRÕES
Ficamos muito preocupados em chegar à justiça pelas nossas próprias mãos equivocadamente. Conjecturamos que não pagar uma determinada quantidade de impostos fará com que haja menos dinheiro para o governo roubar, da mesma forma que admitimos que pelo fato da conta de luz estar cara, é melhor fazer um “gato” para aliviar nossas despesas no final do mês, afinal, é muito imposto e muito ladrão nesse país. Muito ladrão mesmo! São quase 193 milhões de ladrões brasilianos.
Ninguém irá salvar o mundo e tampouco ninguém irá prejudicá-lo totalmente. Enxerguemos isso e a resposta para o roubar ou não roubar ficará clara. É muito egocentrismo de nossa parte acreditarmos que nós, cada um de nós, somos os próprios salvadores da pátria e que nós, sozinhos, podemos mudar o mundo seja para melhor ou pior. Isso não existe. A única vida que conseguimos ter controle e modificar é a nossa própria vida. Se colocarmos as nossas esperanças em alterar a vida dos outros, estamos colocando as nossas expectativas em um ambiente que não temos o menor controle e a frustração será o resultado final das nossas ações. Se o outro será mais honesto ou desonesto por nossa causa, isso não é importante, pois este é um exercício dele e não nosso. O que nos compete é que sejamos honestos por estarmos exercitando a honestidade em nós mesmos, como se estivéssemos frequentando uma academia de exercícios de ética diária e nada mais.
ACABAR COM O MEDO ATRAVÉS DO EXERCÍCIO
Estamos em uma sociedade nazista. Somos incentivados pelo medo a fazermos as coisas certas. Não há moral, ética ou senso comum de humanidade que guie os nossos passos. Somos intimados pelo medo a agirmos dentro do quadrado, quando que cada um poderia seguir os seus próprios passos, assumindo as responsabilidades sobre cada centímetro que caminha ou que cai.
Fazer uma coisa certa, pode fazer com que perdemos dinheiro e até mesmo percamos a vida. Além disso, pode fazer com que ganhemos inimigos, façamos amigos ou que tenhamos apenas nós mesmos. Enfim, fazer as coisas de uma maneira correta é tão só um exercício como o de brincar de amarelinha: temos seguir algumas regras para chegar até o céu.
Se você é empresário, perde uma grande oportunidade de ser realmente empresário se não age de uma forma correta, pois só pode ser chamado de empresário aquele que segue as leis que regem esta profissão à risca. Você precisa pagar seus impostos, contratar seus funcionários com carteira assinada, cumprir seus horários de reunião, fazer contratos, emitir notas fiscais, controlar o fluxo de caixa, fazer planejamento estratégico, criar um bom modelo de negócios, ser líder da sua equipe, etc. Se na faculdade de administração temos aulas de contabilidade é justamente para sabermos como se faz a parte “chata” do negócio.
Sei que com este pequeno texto não consegui argumentos suficientes para realmente convencer o leitor a pensar em como agir melhor corretamente amanhã, mas uma coisa é certa: se você tomar a decisão em praticar esse exercício, verá que a vida é tão somente isso, exercícios diários e contínuos sem expectativa e sem outro competidor além de você mesmo correndo na pista reta da vida.
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