O mergulho na alma continua profundo e portanto, vem me dando oportunidades de debater as questões levantadas sobre liderança, empreendedorismo e autorealização pessoal e profissional aqui no blog com pessoas de todo o globo, refinando o meu trabalho que tem o propósito de inspirar você que “deve” ser empreendedor a libertar-se das ilusões do medo e fazer a sua parte utilizando os seus talentos para ser a diferença que deseja para o mundo. Desta forma, venho hoje falar de um problema que é apresentado em 8 de 10 sessões de coach pelos nossos clientes: o medo de se libertar do passado.
“A mente é como um espelho: junta o pó enquanto reflete” do livro A Voz do Silêncio
Você tenta uma coisa nova, mas tão logo começa a fazer alguma coisa a respeito e as lembranças dos erros que cometeu no passado começam a lhe amedrontar e a comparação entre as tentativas e as falhas não lhe deixam progredir. Infelizmente isto acontece a todos nós, pois acreditamos que nós hoje somos um resumo de todas as nossas ações do passado e desconsideramos o ganho de inteligência e experiência que acumulamos vivenciando aquela parte das nossas vidas.
É de fato algo confuso aprender a lidar com o seu passado como se estivesse vendo a vida de uma outra pessoa somente. Seria como dizer: “Ah! Ok. O Fulano fez isso, isso e aquilo e pelo o que eu posso analisar estas não foram as melhores formas de se agir por causa disso e disso. Assim, já que vejo que aquele modo de agir não era o ideal, vou tentar agir desta outra maneira e ver o que acontece.” E no final dessa sentença está mais um ponto que devemos considerar. O que acontecer ou deixar de acontecer irá acontecer também ao Fulano e não a nós, pois a cada passo, nós podemo olhar para o passo um pouco mais atrás e lhe chamar de Fulano, observando apenas o resultado das suas ações.
Explicando melhor o tive a intenção de expor acima, o importante é estarmos atentos a nossa vida como se estivéssemos assistindo a um filme com um personagem qualquer. Com esta visão acumularemos experiência que nos dará uma melhor base para tomarmos decisões no futuro, sendo importante assumir que aqueles erros cometidos no passado, só aconteceram porque nós não tínhamos a experiência e a inteligência para decidir melhor o que fazer, ou seja, foi o Fulano um pouco menos inteligente do que é agora que cometeu aqueles erros.
Até hoje não consegui me separar totalmente das minhas ações e dos seus resultados, porém a prática deste exercício e a reflexão diária sobre minha própria vida, me levam a um distanciamento que, apesar de ainda pequeno, me transforma diariamente a ser menos tolo que no dia anterior. Viver uma vida sem atenção, é como dormir em uma canoa indo em direção a uma queda d’água. Você fica à mercê da correnteza sem notar para onde ela está te levando.
Costumo dizer que não precisamos de livro para ficarmos mais sábios. Quem lê e se informa pode ficar mais inteligente, mas a sua visão torna-se estreita e específica demais para estar atento as coisas da sua própria vida e onde reside a verdadeira sabedoria. Todos os dias recebemos ensinamentos naturais que chegam até nós através da vida e não precisamos anotar ou gravar nada em outra mídia, a não ser em nossa alma através do poder da atenção.
O resultado das coisas que você fez no passado e o resultado das coisas que você faz no presente não importa e não devem ser levados em conta. O que é importante é estar atento a cada ação, a cada oportunidade, libertando-se do que cada ação irá resultar. Para uma sociedade domesticada pelo foco nos resultados de testes, provas e concursos, pode ser difícil imaginar algo assim, mas não existem algumas ações que realizamos que nos fazem feliz e plenos só de executá-las?
Que tal libertar-se de você mesmo, daquilo que você pensa que você é (resultado das suas ações) e transformar-se em alguém que é apenas as próprias ações? Imagine viver plenamente só fazendo aquilo que nos realiza com total atenção na ação.
O sofrimento só existe porque estamos presos a nós mesmos.