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Associar atividade profissional a uma paixão pessoal é possível?

Se analisarmos a origem da palavra trabalho, dá pra entender porque durante tanto tempo este precisava estar ligado a algo penoso. A palavra “trabalho” tem sua origem no vocábulo latino “TRIPALIU” – denominação de um instrumento de tortura formado por três (tri) paus (paliu). Desse modo, originalmente, “trabalhar” significa ser torturado no tripaliu.

Este é um guest-post de Bia Mendonça, coach à frente do projeto Rumo Coaching que tem como finalidade auxiliar jovens a encontrarem o melhor rumo nas suas vidas.

Quem eram os torturados? Os escravos e os pobres que não podiam pagar os impostos. Assim, quem “trabalhava”, naquele tempo, eram as pessoas destituídas de posses. A partir daí, essa idéia de trabalhar como ser torturado passou a dar entendimento não só ao fato de tortura em si, mas também, por extensão, às atividades físicas produtivas realizadas pelos trabalhadores em geral: camponeses, artesãos, agricultores, pedreiros etc. Tal sentido foi de uso comum na Antigüidade e, com esse significado, atravessou quase toda a Idade Média. Foi apenas no Renascimento que grandes personagens da história, como Leonardo Da Vinci e Michelangelo em suas biografias deram a primeira referência de glórias durante suas atividades práticas.

De lá pra cá existe uma crescente de que o nosso trabalho deve não só nos proporcionar nosso sustento, mas deve nos fazer feliz. Como explica o filófoso Alain de Botton no seu livro “Os prazeres e os desprazeres do trabalho”, as sociedades colocaram o trabalho numa posição central, e é a primeira a sugerir que o trabalho possa ser algo mais que punição ou penitência.

“A escolha de nossas profissões carrega a definição de nossa identidade, chegando ao ponto de não perguntarmos a novos conhecidos de onde eles vêm ou quem são seus pais, mas o que eles fazem, na suposição de que o caminho para uma existência significativa deve sempre passar pelos portões de um emprego remunerado”.

Graças a essa nova percepção foi possível transformar o que dá prazer em uma forma de ganhar dinheiro. Essa é uma opção prática, sensata e cada dia mais comum. Em muitos casos o sucesso é um resultado quando o fator paixão está presente.

O guru de Marketing, Mark Albion, professor da Universidade de Harvard e autor do livro, “Making a Life, Making a Living”, realizou uma pesquisa com mil e quinhentos profissionais que concluíram MBA nas melhores escolas americanas durante os últimos vinte anos. Ele teve a preocupação de separar um grupo, com pessoas que estavam escolhendo o trabalho priorizando o questão salarial, este somavam 83% dos estudantes. Em outro grupo ficaram aqueles que buscaram empregos em áreas que realmente gostavam de atuar, independente do ganho financeiro. Após 20 anos de acompanhamento ele descobriu que 101 haviam se tornado multimilionários e apenas 1 era do primeiro grupo.

Parece que quando a prioridade é fazer o que gosta, e conseguir unir sonho e dinheiro em um só projeto, isso acaba levando ao aperfeiçoamento e ao compromisso integral com a profissão. E você, tem a oportunidade de fazer o que ama todos os dias no seu trabalho?



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