Como fazer o Deus da Guerra se tornar um pacificador? Foi com esta questão que me deparei há pouco enquanto refletia sobre alguns aspectos da minha personalidade e a busca constante por equilíbrio ao qual somos forçados pela natureza a atingir. Quando Leonardo da Vinci pintou a Santa Ceia e colocou lá os 12 apóstolos com diferentes posturas, umas contrárias as do outro, com Cristo sentado ao centro, representou o que tanto buscamos nas nossas vidas: a felicidade pelo equilíbrio. Se não quisermos nos ater a esta pintura, mas olharmos a natureza como um todo, veremos que esta busca constante por equilíbrio pode não somente ser testemunhada, como comprovada pela matemática.
Pegamos um copo meio cheio com nas mãos e o inclinamos para esquerda ou direita. O que haverá? Parte da água sairá de um lado do copo e se posicionará no lado para o qual viramos o copo. Toda força é repelida com a mesma intensidade de força. O zero é o equilíbrio de qualquer equação, pois 4 unidades positivas, só podem ser equilibradas quando existem 4 unidades negativas. Assim, talvez não seja somente o ideal, para a busca do nosso equilíbrio, focarmos tão somente no autoconhecimento, mas também olharmos o que nosso oposto tem de melhor para suprimir nossos vícios e equilibrar a nossa vida.
Quem me conhece de perto, sabe que eu sou uma pessoa que chego a parecer rude e grossa em determinadas situações, pois ajo com muita rigidez quando estou defendendo as coisas que acredito. Agir com tamanha “ira” não é algo de alguém equilibrado, porém, conheço pessoas que por não se decidirem por suas vidas, agem conforme as circunstâncias reclamando para si mesmas das escolhas que não fizeram. Se de um lado temos uma pessoa que “faz a guerra”, do outro temos a pessoa que “faz a paz” para os outros e não pra si.
Em ambas as situações, não existe equilíbrio, pois o melhor seria utilizar o poder de quem define, aliado ao poder de quem harmoniza. Neste ponto, o que desejo demonstrar com este simples exemplo sobre a minha própria vida e postura diante de algumas situações, é que talvez seja preciso olharmos o que há de melhor no nosso oposto para equilibrarmos a equação da nossa vida.
Se em casa, frente à uma única pessoa, companheiro ou companheira, existem vários conflitos de personalidade, numa empresa, com um grupo muito maior de personalidades convivendo no mesmo ambiente cerca de 22% do tempo de suas vidas por mês, é necessário uma busca ainda maior por autoconhecimento para liderar e ser liderado por essas pessoas, para atingir os objetivos globais daquele grupo.
Um líder equilibrado trabalha pela sua evolução e evolução do grupo que conduz e por isso não é correto que se aja como um tirano, propondo leis e as fazendo cumprir, e nem como um pacifista que não dá feedback positivo e trabalha lado a lado dos seus para superarem juntos as dificuldades das suas personalidades. Nossas personalidades são como roupas, onde cada qual tem a sua própria que ajusta a cada dia como ela deve aparecer para o mundo. Todos temos e teremos enquanto vivos estivermos e o líder, muito mais do que “chefiar” um grupo, tem o dever de refinar ainda mais a sua personalidade para compreender melhor o problema pelos quais as outras personalidades estão passando para chegarem aos seus objetivos.
Todos buscamos a felicidade e ela está num só lugar: no centro de uma pessoa, no centro de um grupo, no centro de um país e no centro do mundo. Quando todos estivermos no centro, a felicidade será permanente e o equilíbrio se fará constante dentro de cada grupo.
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