No final de março, publiquei talvez o artigo que mais teve comentários aqui no blog. Foi um artigo super sincero fruto de alguns dias parado (em relação ao blog) refletindo e embarcando em uma crise que confrontava quem eu era, quem minha personalidade era e o que ambos deviam fazer enquanto se manifestando como seres viventes neste solo.
Assim, entrei em um debate muito esclarecedor com um leitor e amigo daqui do blog que confrontou muito bem as minhas idéias e eu pude chegar a alguns “fatos” que ainda não havia definido muito bem na minha cabeça. A frase que dá título a este artigo representa um divisor de águas para mim, para o Insistimento e para o meu trabalho frente à Noxion, pois definiu, ou melhor, está ainda em processo de refinamento, o meu comportamento frente a estas três personalidades que acabei por assumir e ter de conduzir.
Assim, alguns pontos que assumo:
- Todos os indivíduos, seja qual for o grau evolutivo de cada um, possuem papéis fundamentais dentro do mundo que possibilitam a evolução contínua da humanidade, sendo cada qual tão importante quanto o outro.
- O fato de ter existido um Gandhi, um Einstein ou uma Madre Teresa não nos permite menosprezar os bebês que já nascem mortos e que (aos nossos olhos) parecem nada terem realizado.
- A personalidade que assumi é de fato empreendedora, limitada e temporária, pois só existe para dar-me experiências. Logo, ela não é mais importante de quem sou, mas necessária para transformar-me.
- Existem “deveres” que temos que colocar em prática com a personalidade que ganhamos. São as lições de casa que depois de prontas, farão com que esta personalidade morra para que uma nova experiência comece.
Isto posto e compreendido, como eu poderia contribuir com os outros para que estes caminhassem os mesmos dois ou três passos que consegui caminhar?
Para mim, a resposta está em cumprir esses deveres e compartilhar o que se aprendemos com os outros acendendo mais lanternas no caminho. Isto fica ainda mais claro, quando percebemos que a coisa menos egoísta que podemos fazer é seguir a própria lei natural que rege a nossa vida e a qual nos distanciamos conforme vamos sendo domesticados pela nossa visão de mundo.
Veja, se colocarmos um feijão dentro de um algodão úmido, ele automaticamente começará a processar dentro de si, reações que o levarão a se tornar um pé de feijão. Nunca, um feijão se tornará um pé de alface ou uma macieira. Da mesma forma nós, quando nascemos, temos em cada uma de nossas células uma inteligência, que faz com que elas se organizem na forma de ossos, órgãos, tecidos, etc. Tudo é natural e flui com esta lei.
Já nós seres humanos, encantados pelo espelho e com o poder da escolha (livre-arbítrio), nos distanciamos dessa naturalidade (e porque não única realidade) por acreditarmos que nossa personalidade é a “realidade” quando esta nada mais é que plena ilusão.
No debate com o leitor, concluímos que a partir do momento em que nos desapegamos do fruto das nossas ações e nos livramos da ilusão de que sejamos (nosso ego) alguma coisa especial, ou de que aquilo que fazemos tenha algum significado, passamos a ser um mecanismo muito mais eficiente à serviço.
Somos apenas um lápis na mão do poder criador do universo, lei natural, Deus, o que quer que seja, e ao invés de termos a ilusão de que nós é que decidimos como o desenho deve ser, temos que nos cuidar para estarmos sempre afiados e traçarmos da forma mais firme possível o desenho para o qual estamos contribuindo.
Enfim, somos apenas um lápis e quanto mais sabemos, compreendemos que nada sabemos ou somos.
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