Posso cair, posso levantar
Posso ir, posso voltar
Posso inspirar multidões
Como também posso aniquilá-las
Posso matar mil leões
Como também posso servir-lhes de alimento
Posso tudo e nada posso
Faço nada e tudo faço
Penso que existo e existo porque penso
E me acabo por pensar que não sou eu que penso
Perco minha personalidade
Perco-me no meu tempo
Despeço-me de quem eu era
Fico sem qualquer sustento
Nada serei por mais que tente
Pois no fim nada somos
Do que pensamos ou nos lamentamos
Da pessoa que um dia fomos
Só sei que nada sou e se sirvo, é de caderno
Para escrever palavras tortas
E aprender que a vida é um eterno inverno
Com paredes e corredores de muitas portas
Que abertas conduzem ao inferno
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