Este artigo é dedicado aqueles que, assim como eu, já ultrapassaram os trinta anos de idade e ficam surpresos toda vez que uma criança vem lhes ensinar algo novo. O que fazíamos com os nossos pais, nossas crianças estão fazendo conosco e por mais que possa parecer estranho, este fenômeno é algo natural e que, felizmente ou infelizmente, nos coloca para trás na projeção de uma nova sociedade. Porém, se por um lado as crianças possuem uma máquina nova para pilotar, nós contamos com a consistência de uma máquina antiga, mas lapidada para guiá-los em seus novos caminhos.
Para uma criança tudo é novo. Tudo é novidade. Palavras, gestos, expressões, sentimentos, objetos, enfim, tudo é uma grande brincadeira com surpresas animadoras escondidas na próxima caixa. Para quem já não é tão jovem assim, nem tudo é uma novidade. Já nos domesticamos de um certo modo a atender algumas solicitações de maneira mais ágil e automatizada, reagindo prontamente quando algum impulso elétrico ativa uma função específica do nosso cérebro que já é conhecida por ele. Somos melhores em muitos papéis que nossas crianças, mas o que fazer para continuar se surpreendendo com a vida? Como inovar diante de uma máquina acostumada por fazer sempre os mesmos caminhos, reagindo da mesma maneira para atividades triviais e projetando resultados confortáveis com base nas suas experiências anteriores?
“Se à primeira vista a idéia não for absurda, não há esperança para ela.” Albert Einstein
Todos os livros que estudamos, tudo o que lemos na internet e tudo que falamos uns com os outros, inclusive o que exponho aqui já não é mais verdadeiro. Foi verdadeiro há um tempo atrás. Verdadeiro para mim que tenho uma visão da vida completamente diferente da sua. Esta ou aquela opinião não são tão importantes assim se não aprendermos a remover as sujeiras do nosso cérebro para fazê-lo observar na totalidade o que é real.
Quando buscamos uma solução para nossos problemas, confrontamos sempre esta solução com alguma experiência que já vivenciamos ou outra que alguém vivenciou. Nos fechamos diante das possibilidades e fazemos uma opção restrita com base em nossos pensamentos anteriores automatizados. Você se lembra da primeira vez dirigiu um carro? Quando encaramos algo novo não sabemos como reagir porque nosso cérebro ainda não criou as conexões necessárias para automatizar aquela experiência e, da mesma forma como dirigimos sem praticamente pensar hoje em dia, também tomamos decisões conservadoras para a maioria das soluções dos nossos problemas.
Se a principal função do cérebro humano é gerar comportamentos que promovam o nosso bem-estar e o significado da palavra inovação é representar uma idéia, método ou objeto criado e que pouco se parece com padrões anteriores, podemos concluir que não é natural para o ser humano criar algo novo que vá de encontro ao seu conforto.
Qual a primeira reação que temos ao cogitar fazer algo novo? Pensar nos problemas. Pensamos nos problemas e nos apegamos logo a eles porque nossa máquina precisa antever se este conjunto de novos comportamentos inovadores colocarão em risco a vida dela própria. Se queremos mudar de emprego, parar de prestar serviço para determinado cliente, mudar o rumo da empresa, terminar um casamento falido ou abandonar a faculdade que todos diziam ser essencial para nós, a primeira informação que chega a nossa mente logo após termos tido esse impulso inovador é de que “talvez” esta não seja uma boa idéia.
Ou somos líderes do nosso cérebro ou escravos dele.