Se alguém aqui quiser confusão para a sua cabeça, recomendo ler Jiddu Khrishnamurti, pois quando leio seus textos realmente me arrebento por dentro e fico fisicamente zonzo sem saber mais o caminho de volta pra “casinha”. Chegou um texto deles nas minhas mãos essa semana intitulado “A Arte de Escutar”, de uma palestra proferida em Stresa, Itália, em 2 de julho de 1933, que veio a calhar com o que eu estava pensando esses dias sobre o quê eu sou, se é que sou alguma coisa.
Procuramos verdades e escolhemos algumas para acreditar com o propósito de ficarmos confortáveis nelas. Acreditamos que um novo emprego será a salvação e colocamos toda a energia nisso. Acreditamos que uma religião é a nossa salvação e também colocamos toda a nossa energia nisso. Acreditamos que não é um novo emprego ou uma religião que irá nos salvar e também colocamos toda a nossa energia nisso. Deixamos todas as outras ideias longe de nós e nos fechamos no nosso conforto, inclusive nos associando a pessoas que reforçam tais dogmas.
“Portando, segurança é apenas fuga. E, uma vez que a maioria das pessoas estão a tentar fugir, fizeram delas próprias máquina de hábitos para evitar o conflito. Criam crenças religiosas, ideias; adoram a imagem de uma imitação a que chamam de Deus; tentam esquecer sua incapacidade para enfrentar lutas absorvendo-se no trabalho. Tudo isso são maneiras de fugir.” – Jiddu Krishnamurti
Quanto mais estudamos vemos o quando mais ignorante somos. Quando Sócrates disse frase semelhante, creio que ele chegou a um esgotamento tão grande de conhecimento, formando um labirinto sem saída dentro de sua própria mente, que acabou desistindo de tudo e aprendendo aquilo que todos devemos tomar consciência: não sabemos de nada, tudo é mentira, invenção.
Eu sou uma mentira. Cada leitor é uma mentira. Este mundo é uma mentira. Mentira porque tudo o que somos, tudo o que conhecemos é fruto de pensamentos que se tornaram ações no passado. Talvez todo esse meu palavreado só exista porque recebi educação quando era mais novo, pois do contrário não teria todo este apego pela escrita. Essa realidade em que vivemos é tão mentira que se mudamos de cidade vemos pessoas vivendo de uma maneira totalmente diferente da nossa e ainda, quando mudamos de país, enxergamos a cultura (fruto do passado daquele povo) ser bem diferente do que conhecíamos como verdade.
É repugnante pensar que todo o nosso pensamento se baseia em conseguir segurança pelas nossas ações. Se somos materialistas, traçamos todos os nossos objetivos em conseguir bens materiais e aí nos manter confortáveis. Se somos espiritualistas, nossos objetivos estão em nos tornarmos pessoas que não desejam nada “deste mundo”. Como materialistas fugimos de tudo pelo dinheiro que dá segurança. Como espiritualistas fugimos de tudo pela crença que dá segurança. E ainda como intelectuais, fugimos de tudo pelo pensamento que dá segurança.
O duro é saber que não existe essa de segurança. A vida é plena. E, apesar de eu não ter encontrado essa plenitude e vivacidade da vida e ainda viver atrás de medos, de fugas incessantes, estressantes, extasiantes, escapo disso tudo para me agarrar ao que considero ser a única maneira de viver com saúde e de acordo com a verdade de quem eu sou enquanto não bater as botas.
Fujo de tudo para enfocar toda a minha energia para todos os meus talentos para fora. Isso, ao menos, eu trago desde criança e é melhor me agarrar em uma idéia que está dentro do que me agarrar a uma idéia que está fora, pois o que está fora não me serve, mas o que tenho dentro de mim pode servir a todos aqueles que estão fora.
“A vossa ação nascerá então da plenitude, não da incompletude da segurança; e nessa plenitude, nessa harmonia de mente e coração, está a compreensão do eterno.” – Jiddu Krishnamurti
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