A frase que dá título a este artigo é da filosofia Zen que tem por base não fazer escolhas e aceitar as coisas como elas são. Se é bom ou mau, alto ou baixo, não importa. Diz ainda que o homem verdadeiro, autêntico, enfrentará tudo, não escolherá nada.
Lendo e relendo estes ensinamentos eu pensei: “Peraí, se não escolhermos nada, o que nos sobra?”
Já há algumas semanas eu vinha pensando sobre este tema e tentando entender como a vida realmente funcionava. Eu passo por alguns problemas aqui e acolá e por vezes fico surpreso com o desprendimento que tenho sobre esses problemas. Eles surgem na minha frente, me deixando tenso e preocupado por algum tempo, e depois se esvaem de mim porque eu sempre enxergo que não há nada que eu possa fazer a não ser trabalhar, apenas trabalhar.
Só que não pára por aí essa reflexão, pois trabalhar por trabalhar, não dá fruto algum, pois afinal estamos “escolhendo” um trabalho por medo de fazer outra coisa. O correto é não escolher o trabalho e sim, ter no trabalho um alongamento de si mesmo, sem conseguir separar o lado pessoal do profissional.
Ser não é uma questão de escolha, é uma questão de ser. A escolha sempre está relacionada a algo externo a nós e o caminho é algo interno que sem qualquer escolha surge, como uma lei. Assim operam todas as nossas células e órgãos para nos manter funcionando. Nossos órgãos não fazem escolhas, eles apenas lidam com o que vem de fora, continuando a ser aquilo que eles são.
Em toda a natureza, não existem escolhas, com exceção do ser humano que, por utilizar muito o seu cérebro ao invés do seu coração, escolhe aquilo que lhe dá menos medo, ao invés de ser aquilo que lhe apaixona.
Tomar uma decisão de ser quem você é traz muitos benefícios, mas também muitos desafios. O primeiro grande desafios deles é o de começar a mergulhar fundo dentro de si, por baixo do seu ego, definindo que aquilo eu não sou, isso eu sou, o tempo todo sem considerar o mundo externo que traz medo, angústia e estresse.
Como empreendedor, posso afirmar que é essencial para o mundo atual que as empresas tomem consciência de serem aquilo que seus donos são e não serem um padrão daquilo que o mundo pretende que ela seja. Se o ser humano é um conjunto de células e uma empresa é um conjunto de seres humanos, não dá para pedir que uma célula presente na pele faça o mesmo trabalho bem feito de uma célula presente no fígado, assim como não há como fazer funcionar uma empresa onde pessoas tentam fazer bem feito um trabalho que não nasceram para fazer.
Eu acredito que o essencial para cada pessoa é que ela saiba:
- o que quer e o que não quer para a sua vida;
- quais os dons ou talentos que ela nasceu; e
- quais as competências que ela adquiriu que a distinguem dos outras.
Talvez esses três itens façam com que a pessoa mergulhe um pouco dentro de si, mas somente defini-las não irá lhes entregar o poder pessoal que ela possui. Será preciso investir bastante em insistência para a cada passo descobrir uma nova definição do que não se quer para ir cada vez mais profundo em si mesmo.
O fato é que não se deve tomar decisões com base no medo e sim com base naquilo que se é. Depois que se é o que é, o que vem pela frente não é mais encarado como bom ou mau, alto ou baixo, e sim como apenas mais alguma coisa com a qual temos que lidar para continuarmos a descobrir cada vez mais nós mesmos.
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