Segundo o Wikipedia, a dor é uma sensação desagradável, que varia desde desconforto leve a excruciante, associada a um processo destrutivo atual ou potencial dos tecidos que se expressa através de uma reação orgânica e/ou emocional. Interessante, mas até que ponto isto é verdade, ou melhor, até que ponto a dor é nossa inimiga?
Para mim, a dor é uma grande amiga e companheira que vem nos alertar sobre algo inesperado que abala o nosso ego que é a soma total dos nossos pensamentos, idéias, sentimentos, lembranças e percepções sensoriais. Enfim, a dor vem para perturbar ou atiçar a parte mais superficial do indivíduo, nossa couraça.
Se colocamos a mão no fogo, queimamos a nossa pele. Se fazemos algo contra nosso organismo, logo nossos órgão internos criam um rebuliço. Se fazemos algo contra nosso emocional, logo todo o nosso sangue ferve ou esfria dependendo da situação. Note que uso o “fazemos” ao invés de “fazem” justamente para expor aqui o princípio da dor que pode, inclusive, ser aplicada a qualquer área da nossa vida.
DOR E EXPECTATIVA
Sentimos dor, porque criamos uma expectativa de algo sair da maneira conforme pretendíamos. Dor, essa mágoa que nos corrói, que nos impõe o sofrimento, que nos agride e que nos faz suspirar de tristeza a ver que ela não passa.
E ela não passa e também só acontece porque criamos um universo inexistente em um tempo inexistente. Ao invés de tomar o poder de um dia, planejamos um milhão de horas à frente para não realizar nada no agora. Quando alguém parte, deixa-nos a ver navios com nossos projetos e aspirações com quem se foi. Não é a dor de perder alguém e sim a dor de ver um projeto todo destruído ali, bem na sua frente e você sem poder fazer nada.
Sobre planejamento, que me atrevo a considerar planejamento familiares, empresariais, pessoais e profissionais como farinha do mesmo saco, considero a melhor alternativa não criar uma expectativa perfeita sobre o futuro e sim criar uma visão, um cerne, de onde você quer estar hoje considerando que o hoje, possivelmente levará você ao futuro.
Sentimos dor porque queremos sentir, porque prendemos o tempo e porque cismamos em querer controlar o mundo externo a nós. Nossas namoradas/namorados que decidem partir, nossos filhos que viajam para longe, nossas imagens destruídas nos outros de outras pessoas, todas partidas totalmente imersas em tempo e impressão de pensamento que nós mesmos construímos.
Eu não enxergo a vida como eterna, enxergo ela como uma experiência eternizada. E como experiência eternizada devemos nos ater ao momento e, se nesse momento sentimos dor é para nos aterrarmos em nosso estado e percebermos até que ponto esta dor somos nós ou está ao redor de nós.
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