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Temos medo da vida e não da morte

16 de agosto de 2009

“As pessoas têm medo da vida, não da morte, pois a vida é um problema a ser resolvido.” — Osho

Conversando com meus amigos sobre crianças, ficamos impressionados de como existem crianças que não se limitam, que agem como se pudessem ser tudo e fazer tudo, que vivem como seres selvagens sendo e fazendo aquilo que bem entendem. Em um dos exemplos, refletimos sobre uma menina de quatro anos de idade que corria ferozmente com todo o seu ser atrás de um garoto de sete anos de idade sem se dar conta de que ele tinha pernas maiores e mais experiência em corrida que ela.

Na palestra desta última quarta-feira, falei bastante sobre o esforço que fazemos para nascer e comparei isto com o não-esforço que fazemos para sermos aquilo que gostaríamos de ser. O medo, principal limitador do ser humano adulto e domesticado, faz com que organizemos cada pedaço da nossa vida como que para nos proteger. São jardins podados da maneira exata para dar impressão de controle, profissões normatizadas e com índices de controle para tornar a todos uns robôs e famílias baseando-se em padrões de novela procurando a “felicidade” lá fora.

Ninguém quer viver na verdade, todos querem ficar sossegados, tranquilos, de pernas para o ar, com medo do dia que vem. Assumir a vida selvagem e sem controle e expor os seus talentos para o mundo é complicado, aterroriza, mas não só em teoria, como na prática, é somente para isso que vivemos.

Eu não sei o meu objetivo de estar aqui, sentado escrevendo estas linhas neste artigo. Em um primeiro momento, isso é mais uma terapia para mim, para que eu acerte as minhas idéias, do que uma forma de ajudar. Porém, colocar estas linhas com idéias próprias no papel na web, permitem que eu, até onde sei, possa servir ao mundo de alguma forma. E servir, parece ser o ato mais nobre que um ser vivo neste planeta pode executar.

Basta ver que tudo serve para algo: os minerais, as plantas, os animais, todos servem a um propósito maior e todos estão em uma posição além de si mesmos, pois existem somente para servir e só. E nós, seres humanos, servimos a que?

Com certeza lhes digo que servir ao mundo colocando seus talentos para fora é única e mais saudável maneira de receber a abundância merecida que o mundo tem para nos dar. Confiar em si, no seu poder e nos seus talentos, é a chave primária para construir um ser servidor que dá aquilo que tem e recebe aquilo que merece na medida da qualidade daquilo que ofertou.

Colocar isso em prática é viver e morrer é entender que não somos nada mais que uma simples peça no tabuleiro que serve às outras peças com aquilo que temos de melhor.

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