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Elogio ao silêncio

2 de maio de 2009

Na última quarta-feira, visitei a exposição de Sergio Fingermann intitulada Elogios ao Silêncio em exibição no Museu Oscar Niemeyer de Curitiba. São aproximadamente trinta obras onde o artista se propõe a pintar as nove sinfonias de Bethoven e cultua o silêncio como qualidade própria da pintura e das palavras, pois além das belas pinturas, seus textos estampados nas paredes da mostra realmente me fizeram entrar em uma “pira” (como diz uma amiga minha) que se bobear até agora não saí.

Fiquei completamente parado na frente de alguns quadros do artista e simplesmente foi fantástico ver a qualidade com a qual ele queria passar a sua visão sobre o silêncio, predecessor do caos. Nestas poucas linhas não tento colocar a visão do artista e nem sequer me preocupo em copiar com exatidão as suas frases e textos que também estavam expostos, mas sim, tento passar ao leitor as minhas reflexões a respeito para que elas, em conjunto com a obra leve-o a ter uma visão melhor dos seus limites demarcados pelo silêncio.


O SILÊNCIO PRECEDE O CAOS
Achei incrível esta idéia pois quando estamos em silêncio, não interferimos em nada a nossa volta e, por esse motivo, não geramos o caos. O silêncio é tão belo e tão puro que emudece aquele que fala demais. O silêncio demarca os espaços entre as palavras, entre os pensamentos e também o espaço entre nós e o mundo. Agir em silêncio é ato de humildade e de forte compromisso com a ação e não com o resultado, pois não há expectativa de aprovação.

Quando paro pensar no que vou falar, geralmente fico quieto, pois compreendo que em grande parte, o que falo, é tradução de uma massiva confusão mental inerente de preconceitos e informações mal formadas da minha mente. Porém, há uma diferença nobre em falar o que pensa e falar o que sente. Quando trago do fundo sentimentos, emoções e pensamentos construídos a partir da observação dessas emoções, crio um silêncio profundo entre mim e o mundo que se traduz em emoção harmônica e não o caos.

Quero dizer que, se pretendemos falar, primeiro devemos silenciar e deixar que esse silêncio tome conta de todo o nosso ser e que cada momento de silêncio seja uma oportunidade para se valorizar o que irá ser dito.

“Morremos pela boca. Pelo que comemos e pelo que falamos.”

SILENCIE SUA MENTE
Na minha experiência, aprendi várias técnicas que contribuíram para que eu me concentrasse em mim como um mero observador. Uma delas, e a que sempre estou praticando, é observação da minha própria respiração até chegar a sentir meu coração pulsar e balançar o meu corpo.

Geralmente a utilizo em diversos momentos do dia porque já aprendi a sinalizar o comando da observação para o meu corpo e sugiro que você comece a praticar esta observação antes de deitar-se ao anoitecer para relaxar e limpar a sua mente, deixando-a cada vez menos turbulenta.

Alguns chamam isso de meditação, mas eu prefiro chamar de observação, uma vez que meditar tornou-se um verbo que traduz uma atividade a que muitos se impõem um horário determinado para praticá-la, como se existisse alguma prática no ato de meditar. Ao contrário, quando inicia o modo de observação em nosso corpo, simplesmente paramos e observamos o que acontece em nós.

Somos como um lago. A cada vez que aprofundamos a nossa observação sobre este lago, conhecemos ainda mais qual a sua profundidade e, cada vez que sabemos o quão profundo ele é, mais imersos ficamos sob as águas até que alguma razão melhor observada nos faça soprar um vento para tocarmos as margens do mundo que nos acolhe.

A cada dia a nossa vida fica mais atribulada, cheia de questões não resolvidas e assuntos para “correr atrás”. E isto só acontece porque nos mantemos muito na superfície do nosso lago ainda e nos esquecemos de nos aprofundar por completo no que realmente somos.

“Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo e os deuses.” – Sócrates

Há 3500 anos esta frase está cravada em pedra no Templo de Apolo na Grécia e até hoje poucos homens conseguiram conhecer o universo e os deuses. Porém, basta uma única decisão para conhecermos quem realmente somos e ajudarmos a outros a mergulharem em seus lagos em silêncio.

Nota: Descobri agora que existe um livro com os textos desta obra que, obviamente, irei comprar.

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