Na semana passada eu conversei com o sócio da Agripoint, Miguel Cavalcanti. A conversa foi ótima e, apesar da intenção inicial ser de travarmos uma entrevista, acabamos por aproveitar um bom bate-papo informal sobre o seu trabalho como gestor de comunidades que se interessam pela cadeia produtiva da carne e bons hábitos dos produtores de carne atualmente. Eu sou vegetariano de carteirinha e não abro mão da minha opção, porém, achei válido abrir um espaço aqui no blog para o Miguel que trabalha com um mercado do qual não consumo qualquer produto, por acreditar na civilização e de que é importante que nos respeitemos mutuamente para um crescimento global mútuo, contínuo e verde.

A AGRIPOINT É UM EMPREENDIMENTO INSISTIDOR!
Ao contrário do que eu havia concluído lendo os blogs do Miguel Cavalcanti (o pessoal e o piapara), a Agripoint foi criada na unha pelo Miguel e seu sócio enquanto familiares e colegas não acreditavam que seria possível, no ano de 2000, criar uma empresa de internet voltada para o mercado do campo. Obviamente, como qualquer empreendedor, Miguel teve que insistir, deliciar-se com alguns momentos de solidão-empreendedora e construir aquilo que só ele e seu sócio acreditavam: comunidades on-line de pessoas que se interessam pelo agronegócio.
Sua estratégia principal para impulsionar suas comunidades que hoje ultrapassam a faixa de 151 mil usuários cadastrados, foi casar informação com relacionamento. Ou seja, estudaram bem sobre os temas que queriam abordar em suas comunidades e construíram redes de relacionamento sobre eles através do próprio site, cursos e eventos. Na início da empresa, surgiram outras propostas para o mesmo nicho e com investimentos altíssimos, porém, a Agripoint, foi construída em investimentos próprios e de pequeno porte, mas que, na minha opinião de empreendedor, tiveram um investimento de paixão muito maior que os recebidos pelas outras empresas “felizardas” por receberem maior aporte financeiro.
“Conhecimento é um insumo fundamental pra qualquer negócio e em especial: o agronegócio. A Agripoint acredita que está contribuindo para o futuro do agronegócio trazendo informação compartilhada.” – Miguel Cavalcanti
SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO
Evidentemente uma das razões para este bate-papo também era o de averiguar como estava o mercado do agronegócio, no que diz respeito ao consumo de carne, pois uma das razões para eu não consumir carne, se deve ao respeito para com a vida dos animais. Segundo Miguel, os vídeos que recebemos pela internet, com animais sendo mortos brutalmente são uma afronta aos produtores de carne que, em sua maioria, investem muito alto para dar qualidade à vida e morte do boi e, consequentemente, à carne que produzem.
Assim como nós ficamos revoltados em ver tais cenas, os produtores também ficam, pois hoje existem processos mais rápido e indolores, inclusive sendo embasados pela Sociedade Mundial de Proteção aos Animais. Além de ser uma maneira correta de manejo animal, os próprios clientes atualmente, segundo Miguel, estão procurando adquirir carne de locais onde ocorrem práticas de abate humanitário de animais.
Essa conversa para mim foi esclarecedora, pois uma vez que eu respeito quem consume carne, gostaria de recomendar a quem consome, dicas de como comprar uma carne mais confiável e mais “verde”. Assim, perguntei ao Miguel, algumas formas que o comprador final tem para se certificar que o alimento que está comprando respeita a natureza. Aí vão:
Dicas de carnes com certificação extra de qualidade e origem:
CONCLUSÃO
O bate-papo foi excelente e valeu muito à pena. Infelizmente eu ainda não tinha instalado o Call Graph no meu computador e não pude gravar a nossa conversa para tirar outros pontos dela que debatemos, porém, creio que consegui extrair o néctar da nossa conversa e por isso a concluo em dois pontos:
Empreendedor é mesmo sozinho e tem que acreditar em si mesmo e na sua idéia com uma tremenda paixão que o único resultado possível seja o de que aquilo vai dar certo. É preciso se apaixonar de verdade pelo que está fazendo para conquistar o “Monte Everest”.
Qualquer consumo deve ser consciente, ou seja, deve ser pensado, refletido e questionado. Por quê comer carne? De onde vem esta carne? Por quê comprar um iPOD? De onde vem este iPOD? Por quê comprar um Nike? De onde vem esse Nike? É importante para nossos filhos que tudo que façamos seja com plena consciência, sabendo quais os resultados dos nossos passos para que assumamos total responsabilidade por eles. Comer ou não carne, não é o problema, mas saber de onde ela vem e das práticas desse lugar para com os animais, é fundamental.
Obrigado ao Miguel, pelo excelente bate-papo e sucesso nos seu negócio “consciente” e “insistidor” como gestor de comunidades de agronegócio.
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