Me intriga o fato de sermos várias pessoas numa mesma. E também me intriga o fato dos nossos olhos ao invés de somente verem, interpretarem o que estão enxergando. Pode parecer confuso, mas o pensamento que me acometeu nos últimos dias foi justamente esse: Se duas pessoas me vêem de forma diferente, então quem eu sou realmente? Só cheguei a uma conclusão quando separei a mente do coração e considerei não só eu, como também os meus observadores, como apenas objetos de um universo sem qualquer interpretação.

Imagem por AgniMax
DIFERENTES PONTO DE VISTA
O que faz o ponto de vista de uma pessoa ser diferente do ponto de vista de outra pessoa é a interpretação que uma e outra realiza daquele ponto. Nada influi o ângulo a que se mira o objeto e sim a interpretação que se faz daquele olhar. Para nossas mães e pais somos apenas crianças, para algumas pessoas com as quais nos relacionamos somos pessoas malvadas e para outras somos santos. E se formos mais profundo na questão, até mesmo quando nos olhamos, percebemos que ao mesmo tempo que somos tudo isso, não somos nada porque justamente não conseguimos nos olhar sem nos interpretar.
DA INTERPRETAÇÃO
Quando procuramos no dicionário, interpretação nos leva a explicação, que nos leva a compreensão, que nos leva a entendimento e que, por fim, nos leva a capacidade de pensar. E pensar, evidentemente, é algo que eu crio e que não recebo já criado. “Penso, logo existo” – disse o filósofo. Mas se existo, quem existe? Existe as construções do meus pensamentos acerca de mim mesmo ou existe algo além desses pensamentos a que me submeto? Quando penso uso a mente, mas e quando a deixo de usar, o que surge?
SENTIMENTO POR TRÁS DO PENSAMENTO
Se sinto quem sou, destruo os pensamentos, por mais que também possa se dizer que meus sentimentos também são criação dele. Porém, se observar meus pensamentos e sentimentos, verei o porque deles existirem. Com um passo atrás de mim mesmo verei o Marcos, os pensamentos do Marcos e as emoções do Marcos, entendendo seus porques e observando aquilo que leva o Marcos para a felicidade contínua, até então impossível quando se vive rodeado de pensamentos que, como vimos, são apenas frutos de pontos de vista e não a realidade.
NÓS SOMOS O CENTRO
Estar centrado é sentir, pensar, falar e agir sem deixar se levar por pensamentos ou emoções que estejam focadas em pontos externos a você. Entender que não temos que fazer nada além daquilo que nos faz realmente feliz é estar ciente do motivo de nos livrarmos das nossas construções mentais para encontrarmos a inteira felicidade realizadora que está dentro de nós. Quando falo sobre talento, procuro envolver quem me lê ou meu escuta em si mesmo para que, envolvido por sentimentos de auto-estima com ele mesmo, retorne seus pensamentos para casa, deixando fluir aquilo que sente que deve fazer para ser ele mesmo e ser feliz. O problema é que muitos ainda levam em conta que prazer é o mesmo que felicidade se esquecendo que o prazer é mutável enquanto a felicidade não depende de nenhum acontecimento.
REALIZAÇÃO PESSOAL E PROFISSIONAL
Ouvi uma vez que até quem se enforca busca a felicidade na fuga da realidade. Sempre buscamos a felicidade que aqui, iremos traduzir como auto-realização, como um momento em que você se dá conta de que fez tudo para se encontrar e finalmente conseguiu. Se realiza diariamente com a sua atividade profissional servindo ao mundo com aquilo que sabe fazer de melhor, seja cozinhar, pintar, analisar gráficos, gerenciar empresas ou qualquer coisa que só você sabe fazer. Sua auto-estima cresce, você sabe quem é, você está tranqüilo, você não precisa de nada, só precisa acordar, levantar e fazer aquilo que gosta de fazer.
Se você puder parar um instante e observar quem é, o que pensa e o que sente, pode começar a dar saltos internos de evolução e encontrar definitivamente aquilo que tem que fazer para viver uma vida completamente tranqüila e realizada.