As pessoas grandes não compreendem nada sozinhas, e é cansativo, para as crianças, estar toda hora explicando. – Antoine de Saint-Exupéry, autor de O Pequeno Príncipe
Quando somos apresentados a alguém, quase sempre dizem nosso nome seguido de alguma qualidade, como nossa profissão, que nada corresponde a quem realmente somos. O mesmo ocorre quando nos vemos e somos vistos, pois sempre levamos em conta o que está “fora” de nós e das pessoas para nos classificar e classificá-las. É claro que somos adultos com profissões, altura, peso e idade, mas todos nós nascemos nus sem qualquer um desses atributos classificatórios “inventados” por aquelas pessoas grandes que aqui, do lado de fora de nossas mães, já estavam.

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TALENTOS OU PODERES?
Quando se inicia o processo de coaching de talentos, uma das primeiras ferramentas que o cliente (coachee) recebe é um mapa mental dos seus talentos. O meu mapa mental de talentos, por exemplo, retrata fielmente a pessoa que eu sou por trás do meu nome e de todos os rótulos que a sociedade me colocou e possibilita que diante de alguma dificuldade ou de um novo desafio, eu possa recorrer a ele, que na realidade sou eu, e verificar qual habilidade que possuo eu posso colocar em prática para obter o que desejo.
O que quero dizer com este exemplo, é que todos os seres humanos possuem ferramentas, que aqui prefiro chamar de “poderes”, que possibilitam a sua evolução durante o tempo que têm entre o seu nascimento e a sua morte. E o nível de evolução obtido será medido pelo quanto de diferença ele fez no mundo utilizando esses “poderes especiais” que só ele tem.
AUTO-REALIZAÇÃO COMO RESULTADO
O resultado da aplicação com sucesso dos talentos de cada um é medido pelo nível de auto-realização da própria pessoa e não somente da diferença que faz ao mundo, pois se você não é nada sensível, como poderá atender bem crianças portadoras de deficiência mental em uma entidade filantrópica? Ou ainda: Se não é nada prático e não possui qualquer habilidade para fazer contas e lidar com números, como será responsável pelo caixa da sua igreja ou entidade religiosa? Em ambas as situações estará fazendo algo bom para o mundo, mas até que ponto estará se realizando?
Tudo que fazemos na vida deve ir de encontro a nossa felicidade. Acreditamos fielmente que a felicidade dos outros é a nossa prioridade, mas isso não é verdade. A verdade é que os recursos humanos estão tão mal alocados na sociedade atual que acabamos sempre por nos colocar em segundo plano e fazer apenas o que deve ser feito, justamente porque aquilo irá fazer bem a alguém. É como trabalhar naquilo que não se tem qualquer habilidade e facilidade para sustentar os filhos. Não que os filhos não mereçam e não devam ser sustentados, mas será que não é possível que ganhemos dinheiro fazendo aquilo que gostamos, que nos é fácil e que nos traga felicidade e auto-realização?
O MEDO É A CÁPSULA PROTETORA DOS TALENTOS
Temos medo de muitas coisas e por causa da domesticação humana, que ocorre dos doze aos vinte anos de idade, acreditamos que o mestre das nossas ações deve ser o medo e não mais nós mesmos como fazíamos quando éramos pessoas pequenas e não víamos qualquer problema na vida, por mais que eles existissem na realidade dos nossos pais.
As pessoas grandes têm muito medo e por isso não fazem aquilo que só elas sabem fazer.
Ainda recebo muitas oportunidades para comprovar isso, o que me leva sempre a me questionar sobre as reais razões para não agir. Agora mesmo, recebi a oportunidade de produzir um curso do método com o qual me formei sobre Gestão de Talentos com o próprio Mauro Press, criador do método, aqui em Curitiba e adivinhem qual foi a primeira coisa que me veio à mente? MEDO. Medo de simplesmente as coisas não darem certo. Não tinham motivo algum para ter medo, mas aparentemente a raiz do problema, que só descobri após meditar bastante sobre o assunto, era o de apenas assumir mais responsabilidades. Interessante: mais responsabilidades…
MAIS TALENTO = MAIS PODER = MAIS RESPONSABILIDADES
Então quer dizer que quanto mais dos meus talentos eu aplico na minha vida, ganho mais poder e gero mais responsabilidades para mim? Muito interessante, porque isto pode ser a causa de algumas pessoas não quererem utilizar os seus talentos. Não querem assumir mais responsabilidades porque responsabilidade é algo ruim e que nunca trouxe a felicidade, só um monte de contas a pagar. Se analisarmos bem essa questão, a cada vez que eu não me dou a oportunidade de utilizar os meus talentos, eu permaneço na mesmície e no conforto e não assumo responsabilidade em tornar-me eu mesmo. E tornar-se você mesmo é uma das coisas mais complicadas atualmente justamente porque sempre estamos muito preocupados com o que os outros querem e não com o que queremos. Quanto mais autênticos somos, mais poder pessoal acumulamos e, conseqüentemente, mais responsabilidades temos com a nossa vida, com os nossos talentos e com o mundo.
Até que ponto você está comprometido com a sua própria vida? Amanhã, segunda-feira, é um dia onde você se auto-realizará? Pense nisso, pois o tempo entre o seu nascimento e a sua morte pode chegar ao fim antes mesmo de acabar o próximo domingo.