Eu já estava com a idéia de escrever um artigo sobre desculpas, mas vinha adiando abordar esse assunto para poder acumular argumentos que embasassem melhor o que eu acredito. Assim, de ontem para hoje recebi uma enxurrada de informações do mundo que fizeram a conexão perfeita dos meus pensamentos com os meus sentimentos para que eu pudesse falar sobre o tema predileto do ser humanos adulto atual: as desculpas.
TODAS AS PESSOAS GRANDES UM DIA FORAM CRIANÇAS
Essa frase e as frases em destaque a seguir, são do livro O Pequeno Príncipe e diz o que todo os adultos sabem, mas que de alguma forma não se lembram. Ontem assisti ao Natal Feito Criança, espetáculo patrocinado pelo Banco HSBC, onde um coral de crianças carentes e órfãs canta nas janelas do Palácio da Cidade, no centro da cidade de Curitiba. Nesse coral havia uma menininha de uns sete anos que dançava e cantava muito empolgada cada música do repertório. Vendo aquela tremenda animação, eu rezava para que ela não se perdesse da sua criança interior como a maioria de nós adultos fizemos.
Quando somos crianças não damos desculpas para as nossas atitudes, brincamos só do que gostamos e escolhemos com quem queremos estar com a maior honestidade do mundo. Quando somos crianças, somos simples e apenas vivemos nos encantando a cada dia que nasce. Mesmo quando estamos doentes encontramos um motivo de se divertir e talvez seja por isso que se quando éramos crianças nos recuperávamos tão rápido das doenças. Me lembro que quando eu ficava doente, ficava feliz porque não precisaria ir para a escola e que poderia ficar em casa vendo Sessão da Tarde ou brincando com meus bonecos e carrinhos.
O ESSENCIAL É INVISÍVEL AOS OLHOS
Tudo o que fazemos no dia a dia das nossas vidas não é importante. A maneira como nos vestimos, os óculos de marca que carregamos em nossos rostos ou o belo carro que dirigimos não é importante. A maneira como nos sentimos dentro de nós é o que mais importa. Damos desculpas para não cuidarmos do nosso corpo porque não temos tempo; damos desculpas para não termos uma casa confortável porque não temos dinheiro; damos desculpas para não trabalhar naquilo que gostamos porque as coisas estão difíceis; e damos desculpa para não ter um companheiro que verdadeiramente amamos porque já temos filhos com outro que não amamos tanto.
Nós somos ainda crianças de vinte, trinta, quarenta ou mais anos e devemos continuar assim até o final das nossas vidas. A palavra “adulto” foi criada por um “adulto”, portanto, não devemos levada tão a sério, já que é pura brincadeira de criança. Todos nós temos algo essencial e invisível até mesmo aos nossos próprios olhos que só pode ser sentido. Esse “algo essencial” é uma magia infantil de divertir-se enquanto vive. É estar com quem se gosta, fazendo o que gosta, morando em um lugar maravilhoso e praticando o bem-estar todos os dias. Se não ouvimos esse “algo essencial”, não estamos querendo escutar aquela criança que nós fomos um dia e isto, muito pior do que qualquer coisa “feia” que tenhamos feito na vida, é como se tivéssemos pernas e não quiséssemos andar ou cérebro e não quiséssemos pensar…
TU TE TORNAS ETERNAMENTE RESPONSÁVEL PELO QUE CATIVAS
Todos somos responsáveis primeiro por nós mesmos e depois pelos outros. Até mesmo os nossos filhos devem ficar em segundo plano e é um grave engano acreditar que pensando assim estaremos sendo egoístas. Egoísta também é uma palavra inventada por um adulto que também não deve ser levada a sério, pois quando éramos crianças só fazíamos o que gostávamos e nos respeitávamos antes de qualquer pessoa, até mesmo nossos pais!
Repare em quantas vezes você se dá desculpas para não viver a sua vida. Repare na infinidade de problemas que existem na sua vida e que você de alguma forma se sente na obrigação de viver. Você está disposto a caminhar sem qualquer desculpa? Você está disposto a parar de enxergar aquilo que quer se desculpar ao invés de enxergar aquilo que pode fazer? Você está disposto a mudar de brincadeira e viver com olhos abertos para o seu futuro sem lastimar os erros do passado?
Encerro esse artigo com um trecho da letra de “O que é, o que é” de Gonzaguinha, cantada excelentemente bem pelo coral das crianças do Natal Feito Criança que você pode ver aqui (ative a opção assistir em alta qualidade): primeira, segunda e terceira parte. Cuidado, você pode se emocionar!
“E a vida!
E a vida o que é?
Diga lá, meu irmão
Ela é a batida
De um coração
Ela é uma doce ilusão
Hê! Hô!…E a vida
Ela é maravilha
Ou é sofrimento?
Ela é alegria
Ou lamento?
O que é? O que é?
Meu irmão…Sempre desejada
Por mais que esteja errada
Ninguém quer a morte
Só saúde e sorte…E a pergunta roda
E a cabeça agita
Eu fico com a pureza
Da resposta das crianças
É a vida, é bonita
E é bonita…”