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Superar problemas é uma questão de saber como enxergá-los

5 de novembro de 2008

Outro dia cheguei a conclusão de que ninguém fala a verdade. Pode soar meio estranho, mas nem mesmo eu, ao escrever estas palavras, estou falando a verdade, pois isto que aqui se escreve é uma interpretação da minha realidade somente. É difícil de entender isso, mas uma coisa que eu observo é a capacidade que temos em criar histórias para nossos problemas piorando-os ou melhorando-os, dependendo de como fomos domesticados a pensar.

Praia de Ipanema por photog63

Para exemplificar a minha teoria, vou contar o que aconteceu comigo e um amigo no verão passado, quando estávamos em Ipanema, no Rio de Janeiro, conversando sobre os problemas que ele estava vivendo naquela época. Passeávamos tranqüilamente no calçadão conversando sobre o quão difícil eram as situações pelas quais ele estava passando. Coisas como dinheiro e mulheres saltavam na conversa que se tornava a cada palavra mais angustiante.

CADA MOMENTO É UM MOMENTO ESPECIAL
Não sei se foi perto do posto dez, mas todos os domingos uma banda de jazz toca na praia em troca da venda dos seus CDs e de algumas gorjetas que os turistas depositam em um pequeno chapéu no chão. Fazia muito sol e o Rio de Janeiro estava com aquele céu azul de emocionar quem é deslumbrado com as belezas da natureza. Resolvemos sentar um pouco na calçada para conversarmos mais sobre os problemas do meu amigo quando fomos encarados por um sorriso de orelha a orelha dado aos quatro cantos por um homem, de uns cinqüenta anos, que, sem as pernas, dançava felicíssimo na cadeira de rodas. O homem, pelo que julguei naquele momento, devia ter a idade mental de uns quinze anos e, além do problema das pernas ainda se notava um problema na construção do seu tronco e membros superiores. Enfim, um ser pra lá de especial.

Naquele momento, ao ver tal cena deslumbrante, eu virei para o meu amigo e o olhei bem nos olhos. Eu e ele já havíamos deixado as lágrimas saírem dos nossos olhos quando falamos um para o outro: “Problema? Quem?” Demos uma boa risada na mesma hora e ficamos ali, sentados na calçada, curtindo um jazz e a dança mais feliz do mundo que já havíamos visto. Nossos problemas e choramingamentos acabaram por ali mesmo e nunca mais voltamos a falar no assunto.

CONCLUSÕES SÃO SEMPRE INFUNDADAS
Este é um exemplo de como nos colocamos na posição de agredidos ou agressor em frente as oportunidades que a vida nos oferece. Problemas acontecem em qualquer área e é muito impressionante o salto que podemos dar quando passamos a nos observar atuando em relação aos nossos problemas. Lembrei disso, porque hoje mesmo eu recebi um e-mail com um problema financeiro para resolver. Nada demais, mas a minha primeira reação foi de julgar a pessoa que havia me comunicado do problema, criado uma conclusão minha a partir daquela situação e já fiquei zangado de um momento para o outro.

Acontece que, como me mantenho sempre atento ao que acontece à minha volta, percebi na mesma hora o que eu tinha feito e ao invés de pensar no problema como um problema, foquei na solução que era bem melhor. Na mesma hora percebi que poderia resolver o problema falando apenas uma frase e me realizei ao notar que havia saído daquela zona de conforto coitadinho que eu mesmo havia criado.

ATENÇÃO AO MOMENTO PRESENTE
Estar atento ao que pensamos e concluímos do mundo é fundamental, pois quase sempre criamos uma história muito mais dramática e dolorosa para os nossos problemas do que eles realmente são. Infelizmente fomos domesticados a enxergar o ponto preto na toalha branca ao invés das frutas sobre a toalha, mas disso eu falo em outra oportunidade.

Você realmente tem problemas ou em quase 100% das situações a história criada por você é dramática demais?

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