5 November 2008
Superar problemas é uma questão de saber como enxergá-los
por Marcos Rezende - Coach de Talentos para Empreendedores
em Coaching.
Outro dia cheguei a conclusão de que ninguém fala a verdade. Pode soar meio estranho, mas nem mesmo eu, ao escrever estas palavras, estou falando a verdade, pois isto que aqui se escreve é uma interpretação da minha realidade somente. É difícil de entender isso, mas uma coisa que eu observo é a capacidade que temos em criar histórias para nossos problemas piorando-os ou melhorando-os, dependendo de como fomos domesticados a pensar.

Praia de Ipanema por photog63
Para exemplificar a minha teoria, vou contar o que aconteceu comigo e um amigo no verão passado, quando estávamos em Ipanema, no Rio de Janeiro, conversando sobre os problemas que ele estava vivendo naquela época. Passeávamos tranqüilamente no calçadão conversando sobre o quão difícil eram as situações pelas quais ele estava passando. Coisas como dinheiro e mulheres saltavam na conversa que se tornava a cada palavra mais angustiante.
CADA MOMENTO É UM MOMENTO ESPECIAL
Não sei se foi perto do posto dez, mas todos os domingos uma banda de jazz toca na praia em troca da venda dos seus CDs e de algumas gorjetas que os turistas depositam em um pequeno chapéu no chão. Fazia muito sol e o Rio de Janeiro estava com aquele céu azul de emocionar quem é deslumbrado com as belezas da natureza. Resolvemos sentar um pouco na calçada para conversarmos mais sobre os problemas do meu amigo quando fomos encarados por um sorriso de orelha a orelha dado aos quatro cantos por um homem, de uns cinqüenta anos, que, sem as pernas, dançava felicíssimo na cadeira de rodas. O homem, pelo que julguei naquele momento, devia ter a idade mental de uns quinze anos e, além do problema das pernas ainda se notava um problema na construção do seu tronco e membros superiores. Enfim, um ser pra lá de especial.
Naquele momento, ao ver tal cena deslumbrante, eu virei para o meu amigo e o olhei bem nos olhos. Eu e ele já havíamos deixado as lágrimas saírem dos nossos olhos quando falamos um para o outro: “Problema? Quem?” Demos uma boa risada na mesma hora e ficamos ali, sentados na calçada, curtindo um jazz e a dança mais feliz do mundo que já havíamos visto. Nossos problemas e choramingamentos acabaram por ali mesmo e nunca mais voltamos a falar no assunto.
CONCLUSÕES SÃO SEMPRE INFUNDADAS
Este é um exemplo de como nos colocamos na posição de agredidos ou agressor em frente as oportunidades que a vida nos oferece. Problemas acontecem em qualquer área e é muito impressionante o salto que podemos dar quando passamos a nos observar atuando em relação aos nossos problemas. Lembrei disso, porque hoje mesmo eu recebi um e-mail com um problema financeiro para resolver. Nada demais, mas a minha primeira reação foi de julgar a pessoa que havia me comunicado do problema, criado uma conclusão minha a partir daquela situação e já fiquei zangado de um momento para o outro.
Acontece que, como me mantenho sempre atento ao que acontece à minha volta, percebi na mesma hora o que eu tinha feito e ao invés de pensar no problema como um problema, foquei na solução que era bem melhor. Na mesma hora percebi que poderia resolver o problema falando apenas uma frase e me realizei ao notar que havia saído daquela zona de conforto coitadinho que eu mesmo havia criado.
ATENÇÃO AO MOMENTO PRESENTE
Estar atento ao que pensamos e concluímos do mundo é fundamental, pois quase sempre criamos uma história muito mais dramática e dolorosa para os nossos problemas do que eles realmente são. Infelizmente fomos domesticados a enxergar o ponto preto na toalha branca ao invés das frutas sobre a toalha, mas disso eu falo em outra oportunidade.
Você realmente tem problemas ou em quase 100% das situações a história criada por você é dramática demais?
3 comentários de insistidores...
joselito disse:
6 November 2008 at 18:17.
Este é o chamado raciocinio abastrato. As pessoas deixam de desenvolver um olhar mais critico sobre os problemas, procuram ve-los apenas em partes, deixam de analisar o todo e ai fica dificil de achar uma solução definitiva. Empurroterapia.
Victor disse:
7 November 2008 at 14:55.
Cara, interessante você ter postado sobre esse assunto. Certa vez estava “desabafando” com um amigo sobre um “problemão” e, sem que eu soubesse, ele tava gravando toda a conversa no celular. Não que ele quisesse gravar oque eu estava falando, mas estava testando a funcionalidade de “gravar voz” e estava vendo até quanto ele armazenava. E mal sabia que ele estava gravando, apenas vi que o celular estava aceso em cima da mesa. Enfim. Depois de que acabamos de conversar, ele pegou o celular, colocou no ouvido pra escutar. E depois disse: “Toma. Escuta.” - e assim o fiz. Fiquei ali, escutando a conversa toda e vi o quanto eu dramatizava as coisas. Cara, parecia até texto de novela, sabe? A partir deste dia (que não tem mto tempo), comecei a tentar dramatizar menos meus problemas. Mas confesso que é bem difícil focar imediatamente na solução, ao invés de ficar puto, e xingar “meio-mundo”. Mas tô trabalhando nisso! rsrsrs!
Valeu!
Fernando Quirino (Mestre Zen) disse:
12 November 2008 at 20:49.
A habilidade de “dramatização” como foi colocada no comentário acima é algo no mínimo peculiar. As vezes criamos uma “peça” tão elaborada na vida que encenamos, da qual somos os atores princiais, que até acreditamos que aquilo é real e que não há solução para o “empecilho” romântico que está nesse roteiro (do qual também somos roteiristas) e que uma visão menos institiva e mais racional as vezes é capaz de nos dar uma solução num piscar de olhos.
Encenemos nossa vida com prazer e caso surjam os problemas e “empecilhos”, que saibamos resolver como todo bom roteirista sabe fazer.
