Jean-Jacques Rousseau, filósofo suíço, escreveu em sua obra O Emílio:
Pouco me importa que destinem o meu aluno à espada, à igreja ou à barra. Antes da vocação dos pais a natureza o chama para a vida humana. Viver é o ofício que quero ensinar-lhe. Ao sair das minhas mãos, concordo que não será nem magistrado nem soldado nem padre; será Homem em primeiro lugar; tudo o que um Homem deve ser, ele será capaz de ser e, se preciso, tão bem quanto qualquer outro; e, ainda que a fortuna o faça mudar de lugar, ele estará sempre no seu.
Enquanto a esperança cultiva o conforto presente criando desejos futuros, a consciência semeia a revolta projetando um mundo novo. Revoltados, alguns se movimentam na grande massa para criar desconforto e impulsionar o mundo em direção à uma realidade mais favorável, mas ainda desconfortável, extremamente desconfortável. São alguns homens, e cada vez menos, que se incomodam por sua cegueira domesticada e enfrentam o seu próprio mundo para manter sua palavra e espalhar o sentimento de humanidade, tão em falta a cada dia.
Como relatado no texto que cito neste artigo, aprender os ofícios de ser homem é o que faz toda a diferença para a humanidade, pois mesmo que este homem venha a ter fortuna e que essa o mude de lugar, ele ainda estará sempre no seu, centrado. O Homem sabe onde vai, sabe porque veio e de onde e honra a decisão que toma. Nossa pobreza principal é de Homens. Homens e Mulheres dispostos a evoluírem como pessoas trazendo para si os problemas do mundo e em si resolvendo-os.
Enquanto eu escrevo este artigo umas quinze ou vinte crianças morrem no mundo por falta de alimento. Inconscientes que somos, ainda vagamos na neutralidade da exuberância de nosso país, despreocupados com o que ocorre na esquina da nossa própria casa. Não que fossemos resolver o problemas de todos, mas será que já paramos para pensar o que uma pessoa pode fazer para tornar o seu mundo melhor, se tornar pobre de esperanças, rica de consciência e abundante de metas que a levem em direção aos seus sonhos?
Imagem por Stitch
1. PARAR DE CHORAR
Sua vida não tem problemas, sua vida não é triste, seu mundo não acabou. Se você tem vida é porque a merece e se a merece é porque precisa fazer algo, antes que ela acabe. Se o futuro é construído pelo hoje e no hoje você está triste pela sua situação, mesmo que o futuro te dê algum retorno financeiro ou emocional, você provavelmente manterá o padrão de estar triste com outra situação. Abra a consciência para a sua própria vida, escreva o que está acontecendo com você no momento que estiver se sentindo triste e cultive o hábito de ser um observador de si mesmo em várias situações do dia-a-dia. Pare de chorar, não há razão para isto. Deixe de ser mesquinho e vá fazer a sua parte, pois estamos na mesma equipe e eu preciso de você atuando.
2. PENSAMENTOS LIMPOS
Cultive pensamentos limpos tomando cuidado com as informações que recebe de graça. Você não é culpado pela crise americana e tampouco é culpado pelos problemas de saúde e fome na África, mas é totalmente responsável pela sua humanidade e, como humano, merece estar limpo, inclusive de pensamentos. A sujeita é bombardeada em nossa direção a todo momento e nós temos a opção de filtrar o que nos serve e o que não nos serve. Desta forma cultivaremos uma mente mais limpa, menos desconcentrada e mais focada na nossa própria vida, o mais importante.
3. NÃO PISE NA GRAMA
O poeta português Fernando Pessoa escreveu uma das minhas frases prediletas: “Andar na terra, sem pisar o solo.” O que isto pode significar? Para mim, significa que devemos nos preocupar em caminhar sem deixar qualquer marca dos nossos pés no solo que acabamos de utilizar. Nossa humanidade é a nossa maior riqueza, muitas de nossas “riquezas” não nos trazem qualquer bem e sequer qualquer valor. Nosso consumismo de produtos desnecessários à nossa vida, nos deixa procrastinados no conforto inconfundível do nosso lar, enquanto o desconforto do mundo nos espera lá fora. Use o conforto, mas não deixe que ele te use.
Não faz sentido viver fora da nossa mente e à frente do nosso tempo, sem encarar as responsabilidades do nosso presente como seres humanos que somos. Veja a diferença entre eu e você: mero conteúdo. Ser humano eu também sou, com a diferença que exponho os meus talentos para ajudar você a expor os seus e melhorar o mundo como uma grande equipe motivada pelos seus desejos e não mais esperanças, infundadas esperanças.
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