Eu não sei por que, mas de uns tempos pra cá eu tenho encontrado inúmeras pessoas que querem ser líderes, se dizem líderes ou foram nomeadas líderes de algum grupo. E toda vez que eu encontro um desses “líderes” eu sempre tenho que compará-los a algumas pessoas que apenas faziam o que tinha que ser feito e por isso foram seguidas por alguns milhares ou milhões de outras pessoas que se apaixonavam pelas suas idéias. Nada demais.
Recentemente, fui convidado a auxiliar na produção de eventos corporativos de uma empresa de tecnologia da informação de Curitiba, onde outras cinco pessoas buscavam ampliar a divulgação da marca da empresa através de inúmeras abordagens de seu público. Nesse grupo ou equipe, como queiram, havia “um líder” já determinado. Uma pessoa cheia de tudo: pompa, palavras, terminologias, sugestões, agenda na mão e uma vontade enorme de ser escutado.
O “líder” também escutou cada pessoa da equipe falar por uns longos minutos e, tomando nota de cada sugestão, resolveu fazer um discurso na base do “estamos-fazendo-isso-para-proteger-nossas-bundas” que tomou mais outros dez minutos do tempo de todos, inclusive o meu, e nada de concreto definido. A reunião foi encerrada com as tarefas definidas e distribuídas a cada um dos participantes que, de agenda na mão, voltaram para as suas mesas com um ar de “conseguimos-estender-nossa-vida-aqui -por-mais-um-mês”. E viva o FGTS!
Reunião seguinte: “líder” não aparece. Ligam pra ele que diz ter tido um problema pessoal e que não poderá comparecer. O “líder” recomenda que “podem ir tocando o barco” e outra pessoa assume o controle da reunião. Ela coloca os seus pontos de vista sobre as tarefas da última reunião, gerando outras sugestões e outras tarefas para cada um. Resumo: duas semanas, nada feito, nada demais.
Até quando nossos líderes serão apenas o dono da bola com direito garantido de escolher o time e fazer o que quiser? Até quando nossos líderes serão os donos do brinquedo mais bonito? Até quando os nossos líderes esconderão os resultados do bimestre dos seus pais? Até quando?
O que falta aos líderes de hoje é autonomia pessoal para fazerem o que tem de ser feito sem esperar nada de lugar algum. Falta aos líderes de hoje carregar a cruz nas costas sem se importar consigo mesmo. Falta aos líderes de hoje o compromisso com uma causa, uma idéia, uma verdade única que os faça acordar todos os dias e seguir caminhando, vencendo os obstáculos e sem desistir jamais.
Gandhi era um líder. (ponto)
Acompanhe nosso trabalho:
Hoje em dia nós temos os verdadiros líderes e aqueles que tem um ego tão grande que se acham líderes.
@Alex Camillo Pois é. Esse ego é o grande problema. É aí que quando eu vejo um filme sobre a vida de Gandhi, fico pasmo de pensar como um só homem conseguiu mover tanta gente apenas com atitudes humildes, corretas e guerreiras. Tem que ter muita honra mesmo.
Mais um fantástico post. Liderança é assunto pra longos estudos, mas mais do que isso, pra grandes atitudes =]
@Fernando (Mestre Zen) Obrigado amigo!
Detesto essas reuniões que não levam a nda…
Bom dia,
Marcos,
Eu às vezes penso, não tenho certeza, que o líder já nasce com um talento nato, a pessoa já é naturalmente líder, já possui as principais competências necessárias para liderar. O que você acha?