22 May 2008
Peça e será atendido
por Marcos Rezende - Coach de Talentos para Empreendedores
em Coaching; Comunidade; Dinheiro.
Um problema muito comum para quem está começando a trilhar os caminhos do empreendedorismo e que afeta indubitavelmente o sucesso dos negócios, é a questão da precificação dos serviços e produtos que oferece. Isto principalmente ocorre pela insegurança que o empreendedor iniciante possui em si mesmo e em seus próprios serviços e produtos, devido a falta de informação que cultiva em relação a estes, a seus clientes e a seus concorrentes.
Exemplo disto foi o que aconteceu ontem quando estava conversando em frente ao restaurante onde comumente almoço com o pessoal do escritório. Uma senhora, aparentemente moradora de rua, nos abordou e nos pediu cinquenta centavos. Antes dela nos abordar, quando a vi aproximando-se em nossa direção, já havia me programado de ajudá-la com o que pedisse, não importando a quantia. Mas ela, infelizmente, acabou por nos pedir somente cinquenta centavos. Assim, eu enfiei a mão no bolso e tirei uma nota de cinco reais, uma moeda de um real, outras moedas de menor valor e, finalmente, uma moeda de cinquenta centavos que a entreguei em seguida. A senhora agradeceu e seguiu adiante.
Notem que eu estava preparado para dar-lhe qualquer quantia que pedisse, pois via a sua situação e compreendia a sua necessidade, porém, ela somente pediu cinquenta centavos e isto foi o que lhe entreguei. É claro que eu poderia ter agido de outra maneira, dando-lhe cinco reais, por exemplo. Mas achei melhor atender ao seu pedido sem exitar, pois, quem sabe, da próxima vez, ela peça um valor maior ou simplesmente deixe o valor a cargo das pessoas a quem está pedindo esmola.
Quando iniciei a minha carreia como programador freelancer, fechei projetos por um valor muito abaixo do que o de direito, justamente pela falta de confiança que eu tinha em mim mesmo. Depois que propunha o meu valor, percebia que poderia ter pedido algo mais justo e, simplesmente por não ter tido essa atitude, tomei alguns prejuízos. Como a senhora da história.
O que gerava essa minha falta de confiança? Falta de informação, sobre quem eu era, o que fazia e o que isto contribuiria com os negócios dos meus clientes. Saber responder a estas perguntas de maneira clara e precisa, é o que diferencia os empreendedores de sucesso daqueles que simplesmente estão jogando o jogo até perderem o campeonato.
Afinal, você veio para não perder ou para ganhar esse jogo? Seja a diferença.
5 comentários de insistidores...
Alexandre Godoy disse:
22 May 2008 at 23:20.
Marcos, entendi e concordo com a mensagem que você quer passar, mas também gostaria de me ater à subjetividade das coisas e comentar dois outros pontos que me vieram à mente ao ler este texto:
1º) Ao invés de pensar que a pedinte errou a “estratégia” ao pedir um valor específico, podemos pensar que a “estratégia” dela funciona, pois, a chance dela conseguir NO MÍNIMO o que está pedindo aumenta. Tanto é que você, mesmo tendo moeda de MENOR VALOR, você não pensou em dar a ela. E, se ao contrário de você estar decidido a dar mais do que ela pediu, você estivesse decidido a dar MENOS do que ela pediu? Sob este ponto de vista, ela está correta, concorda? Outra coisa: é mais provável que as pessoas dêem MAIS do que ela está pedindo do que MENOS…
2º) Sua intenção e ação de tê-la ajudado foi o que mais importou, mas você deixou de fazer algo que talvez fosse mais importante pra ELA e pra você como homem de NEGÓCIOS: ao invés de ter “recuado” e doado o que ela pediu, você poderia ter ENSINADO A ELA a não limitar o valor do pedido. Deveria ter, sim, dado os R$ 5 e mostrado a ela que a abordagem dela não foi correta e ela teria VISTO que poderia ter recebido mais. Tenho certeza que, já na pessoa seguinte, ela agiria diferente. Talvez ela esteja pedindo os 50 centavos até hoje e só mude quando alguém lhe ensinar o que você deveria ter feito…
Um abraço e parabéns pelos textos, blog e loja.
Marcos Rezende disse:
24 May 2008 at 12:56.
@Alexandre Godoy: concordo com ambas as opinões levantadas por ele. Talvez a história pudesse ter tido outro rumo, mas o fato é que ela me deu o ‘clique’ que precisava para exemplificar um artigo como estes que visa pormenorizar os efeitos de uma boa precificação.
@Pablo: 00:05 do dia 20 de abril de 1979.
Fernando (Mestre Zen) disse:
9 June 2008 at 15:09.
Pensei a mesma coisa que a observação anterior do Pablo, mas na verdade existe sempre um momento para fazer o “menor preço” de mercado e o preço que você realmente quer. Em se falando de negócios, o menor preço é ideal para o início dos negócios, atrair clientes e tudo mais, mas assim que você já tem uma reputação estabelecida e mais pessoas do que consegue atender, é hora de subir os preços para selecionar a clientela.
No caso dessa senhora, pensando de forma profissional (e existem muitos pedintes profissioais) ela pode começar pedindo 50 centavos para conseguir algum dinheiro e melhorar sua aparência, a medida que ela estiver uma pessoa mais “apresentável” como pedinte, ela pode evoluir para 1 real, ou mais. E acho que levando em consideração isso, tudo reflete no que eu acredito ser o ideal das “metas”. Peça e será atendido, que aliás é um título de um livro que estou louco pra ler, reflete que você tem que estabelecer aonde quer chegar e não ter o mínimo pudor de “pedir”, ou seja, ir atrás do que realmente quer, mesmo que antes passe por situações difíceis. Ex: começar pedindo 50 centavos e evoluir para 1 real posteriormente.
Marcos Rezende disse:
9 June 2008 at 15:36.
@Fernando (Mestre Zen) Isso que eu adoro no formato “blog”. Essa discussão positiva é muito bom. Show o seu comentário e boa leitura aí no livro!


