20 May 2008

Quanto mais desconfortável, melhor

por Marcos Rezende - Coach de Talentos para Empreendedores
em Coaching.



Sempre que houver alternativas, tenha cuidado. Não opte pelo conveniente, pelo confortável, pelo respeitável, pelo socialmente aceitável, pelo honroso. Opte pelo que faz o seu coração vibrar. Opte pelo que gostaria de fazer apesar de todas as consequências. - Osho

O principal fato de estar envolvido com aconselhamento de pessoas e profissionais, é porque já passei por situações críticas onde tive aquele pânico e aquele frio na barriga. Uma coisa boa. Boa porque ao sentir essa sensação, meu corpo estava traduzindo o que meu espírito e alma estavam prestes a realizar: uma transformação. Que é o simples ato de mudar uma forma antes definida, para um estado que dê mais sentido às ações, proporcionando realizações.

Quando ainda morava no Rio de Janeiro, era envolvido com caminhadas em trilhas, escalada, passeios na natureza, etc. Nessa época tinha um amigo que me chamou para escalar, pois tinha muita experiência no assunto e estava precisando de uma dupla. Assim, aceitei o convite e visitamos lindas montanhas naquela cidade, como a Pedra da Gávea, Morro da Urca, Morro da Babilônia, Corcovado, entre outras, mas um episódio me marcou muito nesta época e que muito se asemelhou às decisões que posteriormente eu tomaria na minha vida.

Em um dia de céu azul e muito sol, fomos nós dois escalar uma via (o caminho por onde se escala) no Morro da Babilônia. Nessa época eu ainda tinha medo de altura, mas me alimentava o fato de enfrentá-lo e viver situações que dependiam somente de mim. Assim, ao começar a escalar, não percebemos que estávamos nos desviando do caminho e ao invés de tomarmos uma via de nível três (que era mais ou menos o meu nível de escalada na época), começamos a trilhar por uma via com obstáculos mais difíceis e de nível mais alto, sete, se não me falha a memória.

Como não havíamos percebido isso e como o nível do meu amigo era muito maior que o meu, ele também acabou por não perceber seu erro enquando guiáva-me, até que ele se deparou com um obstáculo bastante complicado. Era como um calombo saindo da rocha e formando um ângulo de 90º com o solo, coisa que eu jamais havia passado.

Meu amigo passou pelo obstáculo e olhando pra mim, disse:

Cara, entramos numa via errada e você vai ter que passar por esse obstáculo, não temos corda suficiente para descer daqui e vou apenas te aguardar enquanto você procura a melhor maneira de passar por ele.

Não é preciso dizer o que se passou dentro da minha cabeça e dentro do meu estômago naquele momento, certo? Pois, o frio gélido do medo era caótico. Há mais ou menos 200 metros de altura, sem possibilidade de descer e nem andar para os lados, eu estava ali, no meio do mundo, aguardando a mim mesmo que fizesse alguma coisa para mudar aquela situação e passar por um obstáculo que eu não havia me preparado.

Sentei-me sobre os meus pés na rocha e me puz a admirar aquele lugar. Olhei de um lado para o outro. Olhava o meu amigo. Respirava e via o quão impressionante era a lição que aquela montanha estava me transmitindo:

Tudo depende de você, Só de você. Não coloque a culpa em ninguém de estar aí neste momento, sentado sem poder fazer nada. Só você pode mover-se e sair da situação que você se encontra.

Virei-me para a rocha e comecei a cantar a música Wherever You Will Go da banda americana de rock The Calling, que eu tocava às vezes em meu violão e que muito me acalmava. Comecei pouco a pouco, a colocar uma mão na pedra, testar sua firmeza, voltar a mão para outro lugar, tentar uma passada de pés, colocar outra mão noutro lugar e, como um balé com duração de cerca de 30 minutos, consegui transpor aquele obstáculo. Um silêncio muito grande se formou na minha mente e naquele ambiente. Eu e meu amigo terminamos a escalada. Nos abraçamos e, em silêncio, retornamos para as nossas casas. A lição tinha sido aprendida.

Transformar-se e evoluir é um grande desafio. Não é mole. Não é para medrosos. E é muito diferente que apenas trabalhar todos os dias na mesma coisa, no mesmo lugar e dizer que está batalhando. Batalhar, é lutar todos os minutos por aquela causa apaixonante que muitos têm adormecida dentro de si. É sentir por essa causa, aquele mesmo friozinho na barriga que dá quando nos apaixonamos por alguém e não conseguimo falar-lhe. Quando andamos de um lado para outro, sentimos medo do que a outra pessoa vai dizer, mas quando aquele medo se transforma em paixão e depois amor, percebe-se o quão simples é essa experiência. Experimentar a sua própria causa apaixonante.

Só você pode movimentar-se e sair da posição que está. Só você.






2 comentários de insistidores...

Janara disse:

20 May 2008 at 20:59.

Oi Marcos!

Você pode entrar em contato através do Flickr deles que é : http://www.flickr.com/photos/firmorama

Abraço e obrigada pelo comentário no blog. Se puder espalhar por aí =)

Josney R. Lara disse:

27 August 2008 at 22:04.

Obrigado pelo artigo “Quanto mais desconfortável, melhor”, estou passando por um desconforto no momento, tenho que tomar algumas decição importante para minha vida profissional e este artigo me ajudou.

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